JUNDIAÍ: Mulher denuncia motorista de aplicativo por importunação sexual; ele nega

Fonte: Jornal de Jundiaí
Fabio Estevam
O caso foi logo após o motorista deixar o namorado dela na estação de trem e levá-la para casa
*Matéria editada às 18h50, com a versão do motorista.
Um motorista de aplicativo de Jundiaí será investigado por constrangimento ilegal e importunação sexual contra uma cliente, de 22 anos, durante uma corrida. O caso aconteceu no último dia 29 (terça-feira) e foi denunciado neste fim de semana, no Plantão da Polícia Civil, depois que, segundo ela, ele também passou a fazer ameaças.
Cerca de uma hora após a postagem desta matéria, no Portal JJ e redes sociais, o motorista suspeito entrou em contato com o JJ e se prontificou a vir até a redação, para dar sua versão, quando negou as acusações e mostrou conversas que teve com a suposta vítima, por aplicativo, no dia seguinte, que aparentemente não conduzem com o que ela diz ter ocorrido no carro.
O CASO
A moça contou à Polícia que, no dia 29, perto das 23 horas, solicitou corrida para ela e no namorado - que é negro -, para irem de um motel, no bairro Casa Branca (próximo ao Distrito Industrial), até a Estação de Ferroviária de Jundiaí – onde o namorado iria desembarcar. A corrida ainda seguiria, depois, até sua casa, num bairro da região Oeste da cidade.
A viagem até a estação de trem transcorreu normalmente. Porém, logo após o namorado desembarcar, ela contou que o motorista começou com conversas inoportunas a caminho de sua casa, tais como: “é a primeira vez que você sai com um negão?”, "não gostou?”. Ela então respondeu ao motorista que não havia gostado, momento em que ele parou o carro no acostamento e pediu que ela passasse para o banco da frente e tirou o órgão genital para fora da calça, passando a se masturbar. “Ele segurou minha mão com força e fez eu segurar no pênis dele. Depois, forçou minha cabeça contra seu órgão genital e eu me esquivei” contou ela.
Por conta do longo tempo parado no acostamento, a empresa do aplicativo mandou mensagem para a vítima, perguntando se estava tudo bem. Segundo a moça, o motorista a obrigou a responder que estava tudo bem, pois na sequência a levaria embora. Antes, porém, segundo ela, ele ainda disse que não iria ter relações sexuais com ela porque estava sem preservativo, mas que sabia que ela estava pronta, porque havia estado momentos antes, no motel, com um ‘negão’.
Ela contou que não sabe dizer ao certo em qual via o motorista parou, porque mora há pouco tempo em Jundiaí e não conhece muito bem a cidade. No entanto, após conversar com um parente, chegou à conclusão que pode ter sido na rodovia Dom Gabriel Paulino Couto.
DESDOBRAMENTOS
No dia do ocorrido ela chegou em casa e não contou nada a ninguém. No dia seguinte (quarta-feira), no trabalho, desabafou com uma amiga, que usou o celular para denunciar o motorista para a empresa. A denúncia, ao que parece, chegou aos ouvidos do suspeito, que segundo ela conseguiu encontrar seu perfil no Facebook - utilizando um perfil fake ou de outra pessoa -, para fazer ameaças, dizendo saber que ela o havia denunciado, que iria atrás dela, e que tudo o que aconteceu no carro foi com permissão dela e, inclusive, havia sido filmado.
Ainda segundo seu depoimento, o motorista fez ameaças de processá-la por danos morais por inventar a história. Disse ainda, que conhecia os traficantes da biqueira do Varjão e que iria atrás dela.
Nervosa e com medo, a vitima contou que teve crise de pânico e precisou ser socorrida ao hospital, onde ficou hospitalizada.
Por fim, com a promessa de que ele não iria mais atrás dela (para lhe causar mal), ela gravou um vídeo explicando que nada aconteceu. No entanto, de acordo com a vítima, o vídeo foi feito pro orientação dele, sendo que tudo está registrado em seu celular.
SOU INOCENTE
O motorista suspeito, que tem 26 anos, veio até a redação do JJ para dar sua versão sobre o caso. Ele contou que voltava de uma corrida em Louveira, quando a empresa do aplicativo enviou solicitação de corrida do motel até o bairro em que ela mora e, depois, até a estação. Após recusar por uma vez, acabou aceitando, pois o valor da corrida era bom.
Quando estavam seguindo para estação de trem. "Quando estávamos a caminho da estação, ela perguntou se eu podia alterar a corrida, de ao invés de levá-la para a casa dela, levar ele primeiro na estação. Eu disse que não teria problema, mas que teria que ser feito via aplicativo. E assim ela fez, tem tudo registrado na empresa", disse ele.
Depois de deixar o namorado dela, na estação de trem, segundo ele, eles começaram a conversar e em determinado momento ela perguntou se ele namorava. Ele disse que sim, que era noivo. A conversa prosseguiu e ela disse que queria se relacionar com um mineiro (ele é mineiro). Ele parou no acostamento, na Dom Gabriel. "Ela pediu para ir para o banco da frente e teve toda a iniciativa, sem que eu pedisse nada. Aconteceu mais do que ela falou nesse BO, mas tudo por iniciativa dela".
COMPROVAÇÃO DE CONVERSAS
Ao chegar na casa dela eles se despediram com beijo e trocaram telefones. Pouco tempo depois, quando ele ainda chegava em casa, ela já mandava uma primeira mensagem, que foi mostrada à reportagem. O que se vê, a partir de então, são conversas com palavras de baixo calão, escritas por ambos, em que ela aparentemente vai contra todo o teor das denúncias do BO. "Eu sou trabalhador, não sou vagabundo. Eu errei, mas não cometi crime algum e estou sendo prejudicado. Ela gravou o vídeo, para a empresa, porque quis, e ainda me mandou mensagem explicando isso (mensagem também mostrada á reportagem).
O caso será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para ser investigado.




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