UNIFACCAMP 2026: Mosaico Acadêmico da Universidade promove inclusão, acolhimento e protagonismo estudantil

Por Cleber Aguiar.
Amigos do Botujuru Online, o projeto de extensão vinculado ao Núcleo de Apoio Psicopedagógico reúne estudantes de diferentes cursos para fortalecer a escuta, a representatividade e o sentimento de pertencimento no ensino superior.
A experiência no ensino superior envolve muito mais do que acompanhar aulas, realizar avaliações e cumprir atividades acadêmicas. Para muitos estudantes, o ingresso e a permanência na graduação também trazem desafios relacionados à adaptação, à organização dos estudos, à insegurança e ao sentimento de não pertencimento.
Foi a partir da necessidade de ampliar os espaços de escuta e representatividade que surgiu o Mosaico Acadêmico, projeto de extensão da UNIFACCAMP vinculado ao Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP). A iniciativa busca promover uma cultura de inclusão no ensino superior por meio do protagonismo estudantil, do diálogo e da construção coletiva de ações que contribuam para uma experiência acadêmica mais acolhedora.
Coordenado pelas psicopedagogas Silvia Fortunato e Maria Paula, com a participação do professor Mauro Gebran como representante docente, o projeto reúne estudantes de diferentes cursos em uma comissão responsável por colaborar com o planejamento e o desenvolvimento das atividades.
Inclusão que vai além dos laudos
Um dos princípios do Mosaico Acadêmico é reconhecer que as necessidades de acolhimento não se limitam às pessoas com deficiência ou aos estudantes que possuem um diagnóstico formal. Dificuldades de adaptação, organização da rotina, sobrecarga acadêmica e inseguranças também fazem parte da realidade de quem está no ensino superior e merecem atenção.
A proposta complementa o trabalho do NAP ao ampliar a participação dos estudantes na identificação dessas demandas e na construção de iniciativas de sensibilização e apoio. A intenção é criar espaços em que diferentes experiências possam ser compartilhadas sem julgamentos, favorecendo o diálogo e o sentimento de pertencimento.
Para a professora Silvia Fortunato, coordenadora do NAP, a representatividade estudantil é fundamental para a construção do projeto.
“O Mosaico nasceu dessa necessidade da representatividade. Nada melhor do que o corpo discente representar a questão da inclusão na nossa universidade.”
A professora também reforça que o acolhimento deve estar disponível a todos, independentemente da existência de um laudo.
“Ao aluno que chega até o Mosaico, que ele sinta que ele vai ser acolhido, não julgado. Sinta-se pertencente. A inclusão é para todos.”
Essa perspectiva é compartilhada pelos estudantes que integram a iniciativa. Monalisa Gomes, do 4º semestre de Pedagogia, conta que seu interesse pelo tema cresceu ao longo da graduação, especialmente pelo desejo de contribuir com outras pessoas.
“Eu cheguei a esse grupo porque eu sou apaixonada pelo tema inclusão, e eu acredito que a inclusão aconteça independente do laudo ou não.”
Para Monalisa, o projeto também representa uma oportunidade de orientar os colegas sobre os caminhos disponíveis para buscar apoio e identificar formas de aprendizagem que façam sentido para cada pessoa.
Protagonismo estudantil: dar voz a diferentes experiências
O Mosaico Acadêmico é construído com a participação de estudantes de diferentes áreas, que contribuem com suas vivências, perspectivas e conhecimentos para o desenvolvimento das ações. A comissão de representantes conta com Higor Isaac, de Publicidade e Propaganda; Luiz Henrique, de Psicologia; Lukas Daniel e Thássia Tresinari, de Medicina; e Monalisa Gomes, de Pedagogia.
Além de colaborar com o planejamento das atividades, os representantes ajudam a divulgar o projeto e a mostrar à comunidade acadêmica que existem espaços de acolhimento. Para Luiz Henrique, estudante do 4º semestre de Psicologia, essa comunicação é parte essencial do trabalho.
“Gente, ó, você que tem alguma dificuldade, você não tá sozinho. Esse projeto existe justamente para acolher, dar voz para todo mundo.”
O envolvimento de Luiz com a inclusão também tem relação com sua própria trajetória. Ao falar sobre a importância da acessibilidade e do contato com diferentes realidades, ele destaca como a troca de experiências pode ajudar as pessoas a reconhecer que não estão sozinhas diante de suas dificuldades.
“Depois que eu conheci algumas realidades dentro desse projeto, realidades essas que lidavam com problemas iguais ou diferentes, mas que exigiam um pouco de compreensão, eu percebi que eu não estava sozinho e que existem muitas histórias parecidas.”
O estudante também reforça a importância de reconhecer as próprias necessidades e buscar apoio ao longo da graduação.
“Pedir ajuda também é um ato de amor próprio. É amor com você, é amor com a sua história, é amor com a sua vida.”
Os relatos mostram como o protagonismo estudantil vai além da organização de atividades. Ao compartilhar experiências e participar da construção de um ambiente mais inclusivo, os próprios integrantes contribuem para ampliar a compreensão sobre as diferentes necessidades presentes no ensino superior.
Pertencimento também faz parte da vida acadêmica
O sentimento de não pertencimento pode afetar a experiência de estudantes em diferentes momentos da graduação. No Mosaico Acadêmico, reconhecer essas vivências e criar oportunidades de identificação entre pessoas com trajetórias distintas faz parte da proposta de acolhimento.
Lukas Daniel, estudante do 6º semestre de Medicina, compartilha como o contato com outras pessoas que enfrentavam dificuldades semelhantes contribuiu para mudar sua percepção sobre o ambiente acadêmico.
“Durante muito tempo eu me senti muito deslocado em diversos ambientes que eu convivi, inclusive a faculdade. Porém, quando eu conheci pessoas que também compartilhavam dificuldades, inclusive parecidas com a minha, isso fez com que eu tivesse uma sensação de muito mais inclusão, e essa sensação de estar deslocado começou a desaparecer conforme o tempo foi passando.”
A experiência ajuda a ilustrar um dos propósitos do projeto: construir um espaço em que as diferenças possam ser reconhecidas e em que os estudantes encontrem oportunidades de troca, compreensão e apoio.
Thássia Tresinari, também estudante do 6º semestre de Medicina e integrante da comissão, resume a abrangência dessa proposta:
“Aqui, nossa finalidade é promover a inclusão, seja ela psicológica ou física na universidade.”
Já Higor Isaac, estudante do 4º semestre de Publicidade e Propaganda, reforça o acolhimento como parte da identidade do grupo.
“Nós estaremos acolhendo vocês com o maior carinho do mundo.”
As falas dos representantes mostram que a inclusão não se constrói apenas com iniciativas institucionais: ela também depende da participação das pessoas, da disposição para ouvir e do reconhecimento das diferentes experiências que compõem a comunidade acadêmica.
Café e Conversa: escuta e troca de experiências
Entre as propostas do Mosaico Acadêmico estão encontros formativos, rodas de conversa e ações institucionais de sensibilização. O projeto será desenvolvido no formato de Curso de Extensão, com encontros periódicos e certificação para os participantes.
Uma das iniciativas previstas é o Café e Conversa, espaço dedicado à escuta ativa e à troca de experiências sobre a vida acadêmica. O primeiro encontro tem como tema "O que não te contaram sobre como estudar", com foco nas dificuldades que podem surgir durante a graduação e nas estratégias para lidar com elas.
A proposta é abrir espaço para conversas sobre organização dos estudos, adaptação à rotina acadêmica, insegurança e sobrecarga, incentivando os estudantes a compartilhar experiências e construir, coletivamente, caminhos para enfrentar esses desafios.
Ao colocar os próprios estudantes no centro dessas discussões, o projeto estimula o protagonismo discente e contribui para que as demandas da comunidade acadêmica sejam reconhecidas e consideradas na construção de ações institucionais.
Um mosaico de experiências e possibilidades
A inspiração para o nome do projeto surgiu a partir de um vitral observado pelo professor Mauro Gebran. Formado por peças de diferentes cores e formatos, o vitral compõe uma imagem única, representando a diversidade de pessoas, experiências e necessidades presentes no ensino superior.
Para o professor, o Mosaico Acadêmico é uma oportunidade de fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o diálogo sobre inclusão dentro da instituição.
“O mosaico quer dar um sentido de pertencimento. Eu venho para ajudá-los nesse sentido de incentivar também todos os alunos que estão ligados diretamente ao Mosaico. Futuramente a faculdade toda estará incluída.”
A metáfora do mosaico traduz a essência da iniciativa: cada pessoa tem uma trajetória própria e características que a tornam única, mas todas podem contribuir para a construção de um ambiente acadêmico mais acessível, respeitoso e acolhedor.
Ao reunir estudantes de diferentes cursos, profissionais do NAP e professores, o projeto busca consolidar espaços permanentes de escuta e participação. A iniciativa reforça que o acolhimento e o respeito às diferenças são fundamentais para a permanência acadêmica e para uma experiência de ensino superior que considere as necessidades de toda a comunidade.
Estudantes e integrantes da comunidade acadêmica interessados em conhecer as iniciativas de acolhimento podem buscar informações pelos canais oficiais da UNIFACCAMP e do Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP), pelo e-mail nap@faccamp.br.
Podcast UNIFACCAMP: conheça o Mosaico Acadêmico
Para aprofundar a conversa sobre inclusão, representatividade e acolhimento no ensino superior, o Podcast UNIFACCAMP dedicou o episódio 206 ao Mosaico Acadêmico. Transmitido em 21 de outubro de 2026, o programa reúne representantes estudantis e integrantes do projeto em uma conversa sobre as motivações da iniciativa e a importância de construir espaços em que todos possam se sentir acolhidos.






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