POLÍCIA: Colégio particular será investigado por possível crime de racismo em Jundiaí

Fonte: Jornal de Jundiaí - www.jj.com.br
Fábio Estevam
A unidade se manifestou sobre o caso explicando que não houve crime de racismo
Um colégio particular de Jundiaí será investigado por possível ato de racismo, após ser denunciado pela família de uma criança de 10 anos que se sentiu constrangida ao ver a menina em um material publicitário suspeito, agora objeto de investigação, publicado nas redes sociais.
O Boletim de Ocorrência foi tipificado pelo delegado Antônio Seleguin Junior como ‘preconceito de raça ou de cor’, especificado como ‘racial’, presente no artigo 20 da Lei do Crime Racial, que é 'praticar a discriminação'. A unidade se manifestou sobre o caso explicando que não houve crime de racismo (leia no final da matéria).
O caso
De acordo com relato da família, a peça foi publicada pela unidade escolar na última sexta-feira (20), dia que se comemorou o Dia da Consciência Negra, pela reflexão contra o racismo. O pai da criança contou que jantava na casa de amigos, quando a filha viu nas redes sociais o anúncio da escola, em que apareciam três crianças brancas e uma preta, justamente sua filha. Sobre a imagem da menina havia uma tarja com os dizeres; 'importante na escola não é só estudar, é também criar laços de amizade e convivência', parafraseando o educador e filósofo, Paulo Freire.
O pai relatou aos policiais civis sobre a situação "vexatória" (termo usado por ele), sobre a condição a que sua filha foi exposta no anúncio. Ele ainda contou sobre mensagens de indignação postadas por diversas pessoas na referida postagem, além de frases de apoio à vítima, já bastante consternada.
Na denúncia ele ainda relata que, após incessantes mensagens de repúdio à postagem, o colégio retirou o material publicitário da rede.
Todo o material relatado pelo pai da criança foi anexado à denúncia e será usado pela Polícia durante as investigações. O caso será encaminhado ao 7º DP.
Posicionamento da escola
Após contato feito pela reportagem, a escola se manifestou sobre o caso através de seu advogado. Após a publicação desta manifestação, encaminhada por e-mail, a direção da unidade fez contato com a reportagem solicitando a troca da nota já publicada, por outra, encaminhada pouco tempo depois. Segue o posicionamento:
"Ao contrário da interpretação dada pelos usuários em questão e das injuriosas acusações, na data de 20/11/2020 a Agência de Publicidade contratada pelo Colégio elaborou ao todo 41 postagens, em pacote, sendo que em praticamente todas as postagens feitas naquela oportunidade, o lado escolhido para a colocação da caixa de texto é justamente o lado direito da foto, se sobrepondo aos rostos de muitos outros alunos, em outras fotos, inclusive, alunos brancos, com o intuito de seguir um padrão estético na diagramação da publicidade (já que as fotos seriam lidas em sequência). Ou seja, analisado o conteúdo da publicidade feita naquela data, não sobreleva qualquer dúvida de que a ocultação da imagem da aluna em questão, não foi propositalmente escolhida por critério racial, e sim, pelo critério geral de posicionamento da caixa de texto nas fotos divulgadas sequencialmente na rede social. O colégio, ao longo de uma trajetória dedicada à inclusão social e à censura de toda e qualquer prática discriminatória, apoia decisivamente as ações visando coibir o racismo e a disseminação de propagandas de ódio e violência. Essa é a nossa missão perante a comunidade e na formação de nossos alunos"



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