JUNDIAÍ: Equipe da Mata Ciliar trabalha no socorro de animais

Fonte: Jornal da Cidade - Jundiaí
Milhares de animais morreram queimados no Pantanal; drama agora é a falta de água e comida para os bichos
Além da pandemia do novo coronavírus, o Brasil está passando outro drama, esse exclusivamente ambiental. Queimadas e focos de incêndios que insistem em não apagar numa área tão extensa no Pantanal Matogrossense, que equivale territorialmente aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo juntos. O pior, de tudo, é que milhares de animais silvestres morreram, ou se feriram gravemente com queimaduras ou atropelamentos.
A situação caótica obrigou a Universidade Federal do Mato Grosso e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (PR) a convocarem os trabalhos de integrantes da Associação Mata Ciliar de Jundiaí por já terem tido uma experiência anterior nesta área de fauna e flora na região Centro Oeste. "Já conheciam nossa experiência no resgate e manejo de animais silvestres. E a nossa coordenadora Cristina Harumi os atendeu prontamente, levando cinco funcionárias mais aptas para um trabalho mais braçal. Em dois carros, partiram com medicamentos no dia 17 de setembro", explica Samuel de Oliveira Nunes, coordenador de Comunicação da Mata Ciliar. De acordo com ele, no dia 18 deste mês, a equipe coordenada por Cristina chegou diretamente para uma área inicial da Rodovia Transpantaneira, depois se deslocou até Barão de Melgaço, onde ficaram numa unidade do Sesc Pantanal. Agora, segundo Samuel, devem estar em Cáceres, uma grande área em que está necessitando de atendimento.
Prejuízos incalculáveis
Samuel relata ao Jornal da Cidade que, pelas informações vindas de Cristina, o cenário no Pantanal em termos de prejuízos e perdas é assustador. "O que eles nos relataram é uma coisa absurda. Incalculável essa mensuração. Perto de um tanque de água, morreram muitos bichos; carcaças de animais, felinos e outras espécies foram avistadas. Além da vegetação que era rica e se acabou, houve muitas perdas em termos de fauna. Pois além de animais queimados pela ação do fogo, muitos morreram atropelados na rodovia, afugentados pelas chamas", conta o coordenador da Mata Ciliar. Agora, o problema, segundo ele, é outro e também muito complicado, sem respaldo dos governantes. "Os animais que sobreviveram estão morrendo de sede ou fome. Para os herbívoros é um desafio pois não há vegetação. Para os carnívoros, a própria cadeia alimentar está sendo afetada também".
Como a previsão dos institutos meteorológicos é para uma estiagem mais duradoura, sem previsão de chuvas, esse trabalho da equipe da Mata Ciliar se torna fundamental e sem prognóstico para retorno dos mesmos para Jundiaí. "A nossa equipe está realizando ações mais intensivas neste momento para abastecer essa fauna com frutas e água para os animais nos bebedouros. Não sabemos quando voltaremos, mas com o forte calor, a fumaça terrível e para não termos problemas de saúde pelo trabalho exaustivo, estaremos revezando a equipe lá", explica ele. Em algumas situações, o atendimento da equipe jundiaiense é feito nos próprios veículos, ou em casos mais graves, deslocamento dos animais para a base". Até o momento, foram resgatados quatis, dois catetos, todos esses com patas queimadas, uma espécime de tamanduá bandeira, com uma das patas queimadas e bem desidratado, um primata que acabou não resistindo e um veado campeiro, já solto na natureza.
Onça pintada
Apesar de não ser oriundo desta situação desesperadora do Pantanal, um filhote de onça pintada, órfão dos pais por motivos ainda não esclarecidos, veio de Manaus após o Ibama ter entrado em contato com a Mata Ciliar de Jundiaí. "Pode ter sido queimadas na Amazônia ou mesmo caça os motivos que o deixaram órfão e nós o acolhemos". A Mata Ciliar tem o Centro Jaguaretê, especializado em felinos.



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