LUTO NA CULTURA PAULISTANA: Dois Grandes Regentes Naomi Munakata e Martinho Lutero morrem por corona

Amigos do Botujuru Online a cultura da cidade de São Paulo perde Naomi Munakata que tinha 64 anos e estava internada havia uma semana em São Paulo. Ela foi regente do Coro da Osesp por 20 anos e titular do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo da Praça Ramos de Azevedo . Martinho Lutero tinha 66 anos e voltou da Itália a pouco tempo. Ele foi diretor artístico do Coral Paulistano e regia o Coro Luther King na cidade de São Paulo informações da Rádio CBN/SP.

Naomi Munakata

Naomi Munakata (Hiroshima, 31 de maio de 1955 – São Paulo, 26 de março de 2020) foi uma importante maestrina residente na cidade de São Paulo. Durante muitos anos esteve à frente do Coro da Osesp e seu último trabalho foi como regente titular do Coral Paulistano Mário de Andrade.Faleceu em decorrência da pandemia de COVID-19.

Biografia

Nascida em Hiroshima, em 1955, aos dois anos de idade mudou-se com sua família para o Brasil. Iniciou os estudos de piano aos quatro anos e aos sete começou a cantar no coral regido por seu pai, Motoi Munakata. Estudou ainda violino e harpa e formou-se em composição e regência na Faculdade de Música do Instituto Musical de São Paulo.

Teve como professores Eleazar de Carvalho, Hugh Ross, Sérgio Magnani, John Neschling, Hans Joachim Koellreutter e Eric Ericson. Recebeu o prêmio de Melhor Regente Coral pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e foi contemplada com uma bolsa de estudos do governo de japonês para aperfeiçoar-se na Universidade de Tóquio. Foi diretora da Escola Municipal de Música de São Paulo e esteve à frente do Coral Jovem do Estado como regente e diretora artística. Durante duas décadas regeu o Coro da Osesp e atualmente é regente titular do Coral Paulistano Mário de Andrade[5] e mantém um programa na Rádio Cultura FM.[6]

Em 2012, regeu o Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, o CD Aylton Escobar Obras para Coro.

Premiações e homenagens

Bolsista da Fundação VITAE para estudar regência coral com Eric Ericson, na Suécia. Regente Honorária do Coro da Osesp – título que recebeu em 2014 Diploma de Honra ao Mérito do Cônsul Geral do Japão em homenagem à oito mulheres atuantes na sociedade (20/07/2017) Melhor Regente Coral, pela Associação Paulista dos Críticos de Arte Em 1986, recebeu do governo japonês uma bolsa de estudos para aperfeiçoar-se em regência na Universidade de Tóquio.

Fonte: Wikipedia

Martinho Lutero Galati de Oliveira

Martinho Lutero Galati de Oliveira (Alpercata - Gov. Valadares, 29 de setembro de 1953 - São Paulo, 26 de março de 2020) foi um maestro ítalo-brasileiro. Criador e diretor da Rede Cultural Luther King (1970) em São Paulo, da Associação Cultural Tchova Xita Duma em Maputo-Moçambique (1982) e do Coro Cantosospeso, em Milão-Itália (1987). Professor no Istituto di Musicologia di Milano e na Libera Università di Lingue e Comunicazione IULM[5]. Diretor do Forum Coral Mundial e do Forum Corale Europeo . Com título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo e Cidadão Milanês concedido pelo Comune di Milano (Itália), possui também títulos honorários de Moçambique e do Estado do Vaticano. Diretor artístico do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo de 2013 a 2016[e autor do livro Do gesto à gestão: um diálogo sobre maestros e liderança, em co-autoria com a maestrina Rita Fucci-Amato e com prefácio do maestro Isaac Karabtchevsky. Eleito presidente da Associação Brasileira de Regentes Corais para o mandato (2018/2020). Faleceu dia 26 de março de 2020 em decorrência de uma parada cardíaca.

Biografia

Aos 16 anos descobre a vocação para regência no fecundo ambiente musical paulista dos anos 1960, recebendo influência dos mestres Hans-Joachim Koellreutter, Klaus Dieter Wolf, Jonas Christensen, Roberto Schnorrenberg. Depois de concluir os estudos superiores de música no Conservatório Torquato di Tella, em Buenos Aires (Argentina), frequenta a Faculdade de História da USP. Entre 1980 e 1988, completa a sua especialização na Europa, estudando na Hungria e na Itália, onde foi discípulo de alguns dos principais músicos do século XX, absorvendo de cada um deles uma parte importante para sua formação. São eles: Luciano Berio, Franco Ferrara e Luigi Nono, com quem conviveu em Veneza por longos anos. Na Itália, também estudou semiótica com Umberto Eco. Em 1988, venceu o Premio André Segovia de regência em Santiago de Compostela (Espanha). Graduado em Pedagogia pela Universidade da Cidade de São Paulo.

Sua carreira inclui a regência do Coro da Juventude Musical de São Paulo, direção musical da peça teatral Hair, direção da Orquestra do Vale do Paraíba . Cria o Movimento Cultural Rodrigues Alves, coordena o setor da zona sul de São Paulo no Movimento Mário de Andrade. Cria e dirige os Concertos Matinais nos Teatros de Bairro da Prefeitura de São Paulo. Em 1975 participa de um momento histórico regendo o Coro Luther King na missa de Vladimir Herzog na Catedral da Sé . Vive na África, como pesquisador da UNESCO, lecionando regência e composição na Escola Nacional de Música de Moçambique, da qual foi fundador e primeiro diretor. Pesquisa música tradicional africana, produzindo o Cancioneiro Infantil Moçambicano editado pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco, com capa do pintor Malangatana Ngwenya, adotado em todas as escolas maternais do país, empreitada que lhe rendeu elogios por parte do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Em 1987 funda a Associazione Culturale Cantosospeso em Milão – Itália, com a qual realiza mais de 500 concertos em toda a Europa, dentre eles as primeiras audições italianas de obras como a Misa Criolla, de Ariel Ramírez, a Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento, a Cantata Membra Jesu Nostri, de Buxtehude, O diário de Anne Franck, de L. Gamberini. Também conduziu a primeira audição mundial do Requiem de Esteban Salas e a primeira audição europeia da Missa Luba, da Missa Brevis, de Bernstein, e da Missa Orbis Factor, de Aylton Escobar. No Brasil, realizou a primeira audição nas Américas da Cantata Diário de Anne Frank, de L. Gamberini, a primeira audição mundial da Paixão segundo São Marcos, de Almeida Prado e a primeira turnê do compositor Ariel Ramírez como pianista nos concertos da sua Misa Criolla]. Apresenta pela primeira vez a ópera Dido and Eneas, de Purcell, em São Paulo. Como maestro de grupos vocais e instrumentais, já fez turnês por diversos países, como Cuba, Alemanha, França, Portugal, Croácia, Burkina Faso e Quênia. Realiza turnê na Índia (Goa, Hampi e Bangalore) com 50 cantores brasileiros e italianos onde executa pela primeira vez o Requiem de W. A. Mozart junto a coros locais. Em 1988 vence o prêmio André Segóvia de Regência na Espanha.

Desenvolveu trabalhos musicais com alguns dos principais nomes do cenário brasileiro e mundial. No campo erudito Lella Cuberli, Luciana Serra, Celine Imbert. No campo popular Gilberto Gil, Naná Vasconcelos, Inezita Barroso, Sérgio Ricardo, Cristovão Bastos, Zizi Possi, Marilia Medalha, Tito Martino, Fabiana Cozza, Ivan Vilela, Djalma Correa, Mauro Pagani, Miriam Makeba, Angélique Kidjo, Liz Mac Comb, Dino Salluzzi, Mouna Amari, entre outros.

Desde 2013, à frente do Coral Paulistano Mário de Andrade, realizou diversos concertos de música popular e erudita em diferentes locais da cidade de São Paulo. Com o objetivo de territorializar a música coral, o grupo criou uma temporada de apresentações gratuitas em CEU's nas regiões periféricas da cidade além de realizar concertos gratuitos nas escadarias internas do Theatro Municipal de São Paulo. Em 2015, no Theatro, realiza a primeira execução integral das Missas de W. A. Mozart nas Américas. Cria e organiza a primeira Virada Coral] de São Paulo integrada à Virada Cultural, constando 150 concertos em 48 horas ininterruptas. Participam 102 agrupamentos corais. Cria e dirige o projeto de difusão da música coral na cidade "CANTA São Paulo", ligado à rede de ensino público. Cria e dirige o projeto "SP Cidade Coral" envolvendo os coros já constituídos na cidade.

Publicações

Do gesto à gestão: um diálogo sobre maestros e liderança - em coautoria com Rita Fucci-Amato e prefácio do maestro Isaac Karabtchevsky. Cantosospeso: storia di un coro diverso. Vamos cantar, crianças: Cancioneiro Infantil Moçambicano. A música tradicional de Moçambique, INLD.

Reconhecimento

Prêmio André Segovia de regência em Santiago de Compostela, Espanha (1988). Coro Luther King - Prêmio APCA de melhor coro da cidade de São Paulo (2012)

Honras

Personalidade Musical do Ano, Maputo-Moçambique (1989). Commenda di San Luigi IX. Cidade do Vaticano (1990). Benemerenza Civica, Milano-Italia (2002). Título de Cidadão Paulistano (2010)

FONTE;wikipedia