BEN-HUR MACEDO: Qual é o seu nome completo?


Por Ben-Hur Macedo, jornalista e colunista do jornal O Pêndulo

Por que temos os nomes que temos?

Há muitas razões pelas quais os pais dão nomes aos seus filhos. Entre elas, o desejo de homenagear pessoas da família, tais como avós e avôs, tios e tias, primos e primas… Nestes casos, o problema é que nomes muito diferentes ou antigos são dados a pessoas que vão viver em outra época e que poderão não se sentir muito bem com eles. Conheço pessoas que detestam seus nomes e, se pudessem, os mudariam. Outros, não gostam, mas se acostumam, como um primo meu que a mãe queria batizar Roberto, mas o pai registrou Soldemar, o nome dele próprio. “Eu me acostumei com a tragédia”, diz o meu primo, uma pessoa muito bem humorada. Seja qual for o nome, tenho o maior respeito por ele e me esforço ao máximo para não errar quando falo com uma pessoa, principalmente se não é alguém do meu relacionamento habitual. É algo muito pessoal de minha parte, mas acho uma tremenda falta de educação perguntar a alguém o seu nome depois de ter sido apresentado à pessoa. Mas, apesar disso, já cometi essa indelicadeza. E isso me incomodou muito. Senti-me mal e acho que a pessoa também não ficou muito satisfeita. Afinal, ao ser apresentada a mim, era meu dever guardar o nome dela. Mas, depois de muito pensar, achei uma solução, que agora passo a todos que pensam como eu sobre esse assunto. É a seguinte: quando não se lembrar do nome da pessoa, pergunte-lhe o nome completo dela. Por ser o nome completo, ela não se incomodará de dizer nome e sobrenome. Ou seja, ela mesma relembra você do nome que lhe disse ao lhe ser apresentada, e que você esqueceu. E o constrangimento de perguntar novamente não ocorre. Outro dia, isso aconteceu comigo. O nome da pessoa era Clara dos Santos Silva, mas eu não conseguia me lembrar do Clara. Aí, perguntei o nome todo e ela respondeu “Clara dos Santos Silva”. Gravei o “Clara” e comentei: eu pensava que fosse “Clara da Silva Santos”. Daí para diante, passei a chamá-la sempre pelo nome correto. E nunca mais errei.