CAMPO LIMPO PAULISTA: As feridas do transporte coletivo abertas pelo Coronavirus

Fonte: O Pêndulo

A crise do Coronavirus, que atinge o mundo inteiro, acaba trazendo à tona outras crises. Na última quinta feira dia 2, observamos grande movimentação no terminal central de Campo Limpo Pta. Era a face mais perversa da crise se revelando aqui, bem pertinho de nós. Cerca de 180 trabalhadores foram dispensados de suas funções pela empresa de ônibus que detêm a concessão do transporte público de Campo Limpo Pta há muitos anos. Todos nós lamentamos. São centenas de famílias que serão diretamente atingidas. Mas toda crise traz consigo o questionamento sobre como chegamos até aqui. Uma crise nunca é pontual, ou seja, é uma somatória de fatores que nos levam ao desenrolar de um momento crítico. Fatores que podemos controlar ou não. Vamos deixar de lado o que aqui não podemos controlar e, nesse exercício de reflexão, vamos nos concentrar nos fatores que nos trouxe até aqui ou que poderia ser feito para ao menos amenizar os problemas. É preciso lembrar que no ano 1999 o então prefeito Dr. Luiz Bráz assinou o atual contrato com a Rápido Luxo Campinas, com cláusulas que não permitiram a flexibilização em 30 anos, inclusive com multa pesadíssima para os cofres públicos no valor de R$ 100 milhões (Isso mesmo cem milhões de reais!!!) em caso de quebra do contrato. Esse contrato também impõe à empresa a manutenção de pontos de ônibus e observa sobre a qualidade dos veículos, algo que tem sido bastante criticado pelos munícipes de Campo Limpo Pta, sem falar na recorrente falta de pontualidade. Pois bem, é claro que esse é um momento delicado, mas nós campolimpenses não podemos nos esquecer de quem é o responsável por essa empresa ter tantas regalias aqui no município. Sim, regalias. A Rápido Luxo Campinas não paga impostos à Prefeitura Municipal por que o então Prefeito Dr. Luiz Bráz entendeu que era melhor beneficiar a empresa que os munícipes. A prefeitura abre mão de cobrar da Rapido Luxo o montante de mais de R$ 2,8 milhões por ano, considerando o tempo do contrato, a prefeitura abriu mão de arrecadar algo em torno de R$ 85 milhões (oitenta e cinco milhões de reais) Esse valor poderia ser usado para aparelhar nosso hospital, construir escolas ou até, nesse momento de crise, ser usado para de alguma forma apoiar os trabalhadores que, nesse momento podem perder seus empregos. É preciso lembrar sempre, dentro dos ônibus lotados e em péssimas condições. Lembrar quando os horários não são cumpridos e centenas de trabalhadores chegam atrasados à seus compromissos. É preciso lembrar quem nos deu esse "presente" amargo. Dr Luiz Bráz, o povo se lembra de você todo santo dia, espremido nos ônibus quentes que leva esse povo sofrido às batalhas do dia a dia.