Entre ausência e Falta


Culpa, culpa, culpa. Esse bicho nos persegue e parece que quando trabalhamos fora de casa esse sentimento atinge níveis ainda mais elevados. Nos culpamos pela ausência, por estarmos “privilegiando” o trabalho aos filhos, pela ausência em festinhas da escola, por não estarmos em casa na primeira vez que nosso filho falou “água”. Além de tudo de ruim que aconteça com a criança (e nunca algo de bom, claro) associarmos à nossa falta em casa. É tudo nosso culpa, ah, se eu estivesse mais em casa…. Não, não, não. Nossos filhos não giram apenas em torno de nós. Sim, somos muito importantes para o desenvolvimento deles, sem dúvida. Mas, relembrando Dr. Posternak, nossos filhos não nos querem 24 horas, 7 dias por semana ao lado deles. É exatamente quase o contrário disso. O que nossos filhos precisam, para um desenvolvimento emocional saudável, é ter a segurança de que a mãe sai e volta. É essa certeza que transmitimos a eles do afastamento e do retorno que constrói um sentimento de segurança interna. Ter isso em mente é muito tranquilizante. Não significa abandonar nossos filhos, nem tampouco abrir mão de horas preciosas com eles, mas sim dosar o perto e o longe sem achar que o longe é o lugar da mãe-carrasca e o perto o da mãe-perfeita. O bom senso do equilíbrio e da demanda específica de cada filho é nosso melhor termômetro para essa medida exata de presença-ausência. Aliás, por falar em ausência, lembro-me do poema de Carlos Drummond de Andrade No poema “Ausência”: “Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência…” Nós, mães, precisamos urgentemente saber separar ausência de falta. Esse é um primeiro e importante passo para lidarmos com a culpa pela ausência e pararmos de nos ver como estando sempre sempre no débito com alguém, sempre em falta. Afinal, nosso mestre Drummond diz tudo, “não há falta na ausência”. Beijo

Rita de Cassia Ferreira

Formada em administração de empresas, mãe, filha e esposa,Presidente Municipal do partido Solidariedade, idealizadora dos projetos: Divas, Flor de maio, Cartão Vermelho na violência doméstica, carinho sim, violência não! Novas Mulheres, Politica para Mulheres e mulheres para politica.

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