RACISMO: Passageira de ônibus é vítima de racismo em São Paulo "apanhei por ser preta"


Uma estudante de 22 anos Alanne França , foi vítima de racismo em um ônibus na Avenida Interlagos, Zona Sul de São Paulo. Segundo Alanne uma senhora de 62 anos, que a atacou com ofensas e arranhou o seu rosto, durante uma discussão no coletivo na cidade de São Paulo . O episódio de racismo , que foi classificado como 'injúria racial' , revoltou a vítima que ainda disse que "a pior e uma das maiores humilhações" que ela já passou, também gravou em fotos e videos.

A discussão começou quando a Alanne que também é youtuber , viu a senhora discutir com uma criança por pisar no pé dela , "Senhora, não precisa xingar assim, ela já pediu desculpas", disse a youtuber, a idosa respondeu da idosa, xingamentos de "macaca" e "preta nojenta". e depois acabou com a agressão física da senhora na Alanne.

Apesar do vídeo e a prisão em flagrante a Idosa, foi acusada de 'injúria racial' e pagou fiança de R$ 1.000,00 e foi liberada. Alanne ficou muito trista com resultado e disse "O que me deixa triste é ela ter assinado por injúria racial , que é fiançável, e não por racismo, que é inafiançável. Agora vai ser um corre danado para processar essa mulher", disse. "Eu vou processar, mas não acho que ela vá sequer aparecer numa audiência", completou a Youtuber.

Abaixo o texto que Alanne postou no facebook na ìntegra:

ontem eu sofri a pior e uma das maiores humilhações que já passei na vida. eu peguei um ônibus e umas paradas seguintes uma senhora subiu. só tinha lugar ao meu lado e ela sentou, já sentou me empurrando com a bolsa pra que eu não encostasse nela. uma adolescente/criança subiu e como o ônibus estava lotado, pisou no pé dela mesmo ela estando sentada. ela começou gritar, mandar a menina se fuder tomar no cu, enquanto a menina pedia desculpas sem parar. eu calma estava e calma continuei e disse “senhora não precisa xingar assim, ela já pediu desculpas”. e toquei no braço dela pra ela se acalmar. ela empurrou minha mão e começou gritar comigo com os dizeres “macaca, preta nojenta, desencosta de mim macaca dos infernos”, todos no ônibus começaram dizer que ela era racista, ela só respondia “olha pra ela, olha essa preta nojenta”, enquanto ela dizia isso ela me deu dois tapas na cara e em seguida apertou meu rosto com as unhas, e isso cortou ele. meu rosto começou sangrar e pra afastar ela eu segurei pelos cabelos e sacudi a cabeça dela já q empurrar e as pessoas tentarem afastar ela de mim não dava jeito. quando a afastaram de mim, ela simplesmente tirou os sapatos que calçava e jogou eles em mim, enquanto disse “se você gosta tanto de defender, tinha que começar se defendendo nascendo branca”. eu não consegui mais e só lembro que sentei e chorei enquanto alguém falava pra mim que chamou a polícia. a essa altura ela tentou sair do ônibus (já parado desde o meio da discussão) e fugir, mas o motorista fechou as portas. mesmo na frente do policial ela não parou em momento algum de dizer essas coisas e eu só sabia chorar tremer e dizer que tava errado e chamar ela de vagabunda racista, mas parei quando começaram falar pra eu parar ou ia “perder a razão”. quando o policial falou que ela teria que ir algemada, ela virou pra mim, na frente dele e disse “não vai dar em nada, tenta lá”. fui pro hospital fazer curativos e de lá fui de viatura mesmo pra delegacia 99, na qual prestei depoimento e ela também. ela pagou fiança de $1.000, e foi liberada 5 horas depois, quando a filha apareceu com o dinheiro e nem quis olhar na minha cara. eu também fui liberada. a delegacia me ajudou muito e me deu todos os procedimentos a fazer sobre esse processo, mas o que me deixa triste é ela ter assinado por injúria racial, que é fiançavel, e não por racismo, que é inafiançável e agora vai ser um corre danado pra processar essa mulher. eu vou processar, mas não acho que ela vá sequer aparecer numa audiência. tenho vídeos, provas, testemunhas, confissão, mas a própria filha disse que “não pode provar agora mas ela tem alzeimer”, que se for provado, eu não vou ser nada além de estatística. eu não quero mais lutar contra isso, não quero mais tentar deter isso. é a segunda vez que sofro racismo seguido de agressão física, quem me acompanha sabe. na primeira vez fiquei internada, nessa meu psicológico está destruído e eu simplesmente não tenho mais coragem de lutar contra algo que sei que cedo ou tarde vai me matar. mais uma vez apanhei por ser uma mulher preta, mais uma vez fui humilhada e mais uma vez eu me vejo quase que obrigada a seguir em frente, mesmo me arrastando. o pouco de fé que eu ainda tinha na humanidade foi embora, e agora acredito que um raio cai sim duas vezes num mesmo lugar, basta ser eu meu erro foi ter saído de casa ontem, visando o turbilhão de coisas horríveis que to passando nesse tal de “inferno astral”. mas eu saí, e tive que dar de cara com a gota d’água pra varias coisas que to vivendo. só quero que a maré me arraste mesmo, porque eu não vou nadar mais.

essa é a senhora, esses são os vídeos, meu aniversário é na quarta mas peço que por favor não me desejem “felicidades”, eu não tenho faz um tempo.

Nesse Link está o texto e os vídeos no Facebook da vítima:

https://www.facebook.com/alanne.franca1/posts/1721164118002384

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